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Ela fala por mim

Fragmento retirado do texto que a Danuza Leão escreveu para a sua coluna na Folha de S. Paulo:

“(...) E aquele que passou anos construindo a imagem do bom caráter de carteirinha pode fazer você levar a vida inteira na dúvida, sem ter coragem de encarar a verdade: que se trata apenas de um crápula.
A tal imagem ilude muita gente, que durante anos pensa que o personagem é defensor das boas causas, dos fracos e oprimidos, e sempre politicamente correto – faz parte do modelo, claro. Incapaz de encarar uma briga de frente, ele não consegue nem ter inimigos, pois, como ser humano, não passa de uma fraude – e de um covarde.
Está sempre atrás de alguma vantagem – alguma pequena vantagem – e frequentemente comete traições – pequenas traições que dificilmente poderão ser comprovadas. E se alguém ousar acusá-lo de alguma coisa, sempre haverá alguém para defendê-lo – afinal, de uma pessoa com um passado tão correto, só um louco ousaria dizer alguma coisa.
Suas maldades e falhas de caráter nunca são grandiosas, porque nada nele é grandioso. Suas maldades são pequenas, porque tudo o que ele faz é pequeno; pequeno como sua pessoa, como sua alma. Mas, às vezes, se tem como conviver com gente assim – como fazer?
Se for seu caso, não faça nenhum tipo de concessão. Cometa um assassinato, internamente, e esqueça de que ela existe – mas esqueça mesmo. Porém atenção: é importante que ela saiba que você sabe perfeitamente quem ela é.
Fique cego quando passar por ele, e se alguém mencionar seu nome, não ouça; esqueça das mesquinharias de que é capaz um pobre ser humano.
E valorize seus inimigos, os bons. Eles estão sempre dispostos a liquidar com você, mas sempre com a maior lealdade”.

Como diz o título do post, ela fala por mim: encontrei alguém se expressando da forma que eu gostaria de me expressar. O artigo inteiro é muito bom, porém este final é memorável. A Danuza atingiu o inatingível com suas palavras.

P.S: Ela sempre escreve aos domingos, na Folha de S. Paulo. Vale a pena ler!

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